13 agosto 2026

Análise do jogo: "Copycat" (PC) — Uma Reflexão Sobre Amor e Adoção

Copycat
Exige firmeza e sensibilidade

NiLo Mendes



    Existem jogos e jogos... e existe um chamado: “Copycat”. Um jogo para aquelas pessoas que gostam de gatos, precisamente para aquelas que mais simpatizam com os abundantes — sem raça definida. Um jogo que aborda o laço de amor entre gatos e humanos.

Quando você entra no site da Steam, você logo já tem um aviso de conteúdo adulto:

 

“Copycat aborda temas delicados como trauma familiar, abandono, “chamuscar” e outras complexidades emocionais. Se você está passando por momentos difíceis, lembre-se de que não está sozinho. Busque apoio de amigos, familiares ou de um profissional. Cuide-se e jogue no seu próprio ritmo.”

 

    Além desse aviso, Copycat contém uma sinopse intrigante:

 

“Um jogo sobre rejeição, pertencimento e o verdadeiro significado de lar. Acompanhe a história de uma gata de abrigo recém-adotada que se torna vítima de um plano elaborado quando um imitador ciumento e perdido rouba seu lugar na casa.”


    Eu vou ser sincero, depois de ler tais recomendações, pensei ser um exagero. Uma estratégia de marketing para chamar atenção e aumentar a venda do jogo, afinal o mundo está cada vez mais apelativo diante das nossas emoções, fora que Copycat é um jogo com temática bastante específica e, portanto, de um público nichado.

    Contudo, eu admito: “queimei a língua”, estava completamente enganado, o jogo entrega o que diz. Mostra um game bem refinado, capaz de atingir sensações adormecidas até mesmo dentro de um coração endurecido pela mente. Realmente, a breve apresentação da Steam não estava brincando quando afirmou que o jogo cutucaria assuntos delicados.

    O grande trunfo está na narração em diversos idiomas, onze, incluindo o nosso querido português-br. Assim, rompendo a barreira da língua, o player é transferido ao universo emocional de Copycat. É praticamente o diálogo que vai conduzir as escolhas e os sentimentos do jogador.

    A narrativa é sobre uma gatinha na fila de adoção, à espera de um novo lar. Aguarda encontrar uma boa alma humana a fim de compartilhar amor e carinho.

    Assim que começa o jogo, logo na introdução, o player está na pele de uma senhora, a senhora Olive. Uma idosa simpática, de boa índole, mas logo nos primeiros segundos aparenta possuir uma saúde fragilizada e lapsos de memória. Será o começo de Alzheimer? Preste atenção nessa conversa inicial, que é bem discreta, mas você notará. Mais pra frente voltarei a esse assunto.

    Essa intro acontece em um centro de adoção de gatos. Olive conversa com o responsável pela instituição, na qual manifesta a sua vontade de adotar uma gata para substituir a antiga mascote, que havia desaparecido. Olive é levada à sala onde estão as gatas aptas para serem adotadas. Ali é onde o jogador irá tomar a sua primeira ação. O responsável vai mostrar, por meio de diálogos, as características de cada uma delas. Cada gatinha tem a sua pelagem e qualidades próprias. Entre seis opções, o jogador escolherá uma.

    Ainda no papel de Olive, após escolher a gata, ambas vão esperançosas para casa da idosa. Não digo felizes, porque de um lado existe uma gata desconfiada da verdadeira bondade humana e, do outro, a velha Olive, que pressente não ter muito tempo de vida, mas que ainda assim quer passar o resto de sua vida em companhia da nova gata, que considera ser a sua única família. Olive batiza a gata de Dawn – do inglês significa alvorecer, o mesmo nome dado a outra gata desaparecida.

    Quando as duas chegam à casa, é finalizada a participação de Olive como personagem jogável. A partir daí, o player passa a jogar até o final do game, observando tudo por meio do olhar felino de Dawn. Desde ações externas até os próprios dilemas existenciais que há dentro dela.

    É bacana o foco da câmera. As atitudes e expressões faciais humanas direcionadas a Dawn são singelas, sensíveis, harmoniosas e até sofridas. Muitos dos gestos de carinho, amor, apreensão, raiva ou até repulsa são bem próximos de ações reais, que somente quem tem ou teve pets vai saber como é.

    Vai se preparando, Copycat ao longo da jornada pode mexer com qualquer um.

    O refinamento não está somente nos cenários, mas também no conteúdo subjetivo de cada personagem; com isso, é ampliada a imersão dentro do jogo. Copycat exercita a conexão de pertencimento entre pessoas e animais; ainda arrisco ir além, uma sintonia que pode se estender entre nós, humanos.

    Já digo de antemão: não é um jogo de grandes dificuldades, seja para atravessar os desafios ou alcançar as missões de cada fase, tanto que nem barra de vida Dawn possui, então ela não morre.

    O maior obstáculo está no jogador enfrentar a sua própria consciência, já que o jogo reflete de forma direta e sincera a responsabilidade de adotar um animal, tornando-o um verdadeiro integrante da família.

    Pensa aí com você: na época de escola, você chegou a fazer aquela experiência de plantar uma semente de feijão em um copinho? Ou, para uma geração mais nova: já cuidou de um bichinho virtual? Onde, todo santo dia, você é o agente responsável por cuidar e dar atenção para que eles não morram.

    Bem, é exatamente o que Copycat faz. Sem dúvida, poderia ser tranquilamente um jogo de utilidade pública para as futuras pessoas que desejam adotar um animal. Um teste se realmente estão capacitadas a assumirem esse compromisso com uma nova vida que precisa apenas de todo amor e carinho.

    Tanto que, lá na introdução, quando Olive decide adotar Dawn, o jogo apresenta um termo de compromisso e de responsabilidade, fazendo o player assiná-lo, mostrando que a atitude de adoção é algo sério e nem um pouco descartável.

    Claro, é um jogo para entreter, não se sustenta apenas em lições morais, contudo os minigames são breves e fáceis de resolver. O jogador só precisa realizar comandos simples via teclado ou controle.

    É um jogo de ótima resolução, feito com traços bem trabalhados; detalhe: há uma fase em que a sombra de Dawn reflete na parede de uma casa, enquanto caminha sobre a fina cerca. Copycat facilmente seria uma animação digna do Studio Ghibli, estúdio famoso por também criar narrativas de cunho psicológico profundo, como “A viagem de Chihiro”. O trabalho visual do game é de alto primor e seria bem interessante ver um longa de Copycat feito por tal estúdio.

    Em relação à trilha sonora, na maioria das vezes, o jogo traz músicas instrumentais conforme o contexto da fase e do que se passa no interior de Dawn. São músicas no estilo, podemos dizer, “jazz-noir”, principalmente durante as fases noturnas. Músicas tranquilas, mas que criam uma leve tensão e propõem uma ação ativa do jogador.

    A meu ver, nessa pegada jazzística suave, Copycat busca sintonizar o íntimo da própria Dawn diante dos conflitos que a vida coloca, conduzindo o jogador a elaborar estratégias astutas e inteligentes para enfrentá-los e ajudá-la a sair do próprio sofrimento.

    Por meio dessa trilha, sente-se uma atmosfera entre sensações boas e desconfortáveis, sobretudo se o jogador se identificar, de alguma forma, com a história da própria Dawn. De adoção ou rejeição...

    Existem dois recursos musicais que considero importantes. Uma é o melisma, técnica vocal em que uma única sílaba é cantada em notas diferentes; no jogo, o vocal feminino acontece de boca fechada. A melodia está principalmente nas cenas entre Dawn e Olive. Tem um valor simbólico, como se a própria idosa cantasse para decifrar as suas emoções junto à presença da gatinha.

    Já o segundo recurso utilizado é o aparecimento de uma trilha mais vibrante, uma pegada característica de possíveis povos étnicos das savanas africanas. O som surge em certas fases quando Dawn dorme e sonha.

    Sim, em Copycat cai por terra a dúvida se animal sonha ou não; é comprovado, sim, eles sonham. Esses sonhos são onde Dawn não é mais um simples animalzinho de estimação, mas sim uma bela pantera negra em meio à vida selvagem. Os seus sonhos estão todos em um ambiente 3D; é onde Dawn, sendo uma felina grande e poderosa, expressa sua natureza livre, todo seu potencial de independência e força interior. Tudo para romper qualquer desafio do mundo animal e também nas relações humanas.

    Já as cutscenes têm diálogos e transições rápidas, mas ainda assim fazem o jogador pensar. Mantenha os olhos bem abertos para compreender as entrelinhas durante essas passagens e perceber melhor a vida de Dawn ou, quem sabe, até a sua própria vida.

    Copycat é uma infinita observação, mais do que ação. Do começo ao fim, Dawn vai direcionar o player no sentido de identificação e conexão de emoções entre os personagens, sobretudo os humanos: o casal apaixonado, o rapaz solitário, a mãe junto do filho que brinca no parque com seu aviãozinho, o casal em conflito e até a mãe passarinha junto a seu filhote no ninho.

    São cenas simples do cotidiano, mas que fazem toda a diferença. Resgatam o quanto o mundo animal e humano, ambos, necessitam de amor e integração. Copycat ressalta na animação o laço entre o mundo externo e interno. Cada um dos personagens apresentados no jogo passa a questionar sobre o que é sentimento, felicidade, família, solidão, companheirismo e outras reflexões. Cada qual enxergando esses tópicos de maneira distinta, por isso, nesse jogo não há julgamento do que é certo ou errado.

    E não tire conclusões precipitadas quando Dawn finalmente encontrar a sua “possível rival”; estamos falando lá da outra gata de mesmo nome. Lembre-se, Olive perdeu a primeira e procurava uma substituta. Veja, o nome Copycat, em tradução livre do inglês, significa IMITADOR, ou seja, a nossa querida Dawn replica o que a sumida gata representava para Olive. Eu digo isso porque haverá uma certa atitude de Olive que pode deixar alguns players chateados, mas não a culpe, afinal, desde o começo, o jogo já mostra a sua saúde debilitada. Porém, no final, tudo se esclarece e a paz reina entre as duas gatas...

    O SAVE do jogo é automático, surge numa tela preta com orelhas de gata. Um jogo bem curto, em que, em poucas horas, o player dá cabo, por isso, não demora muito tempo para acontecerem os saves. Quando recarrega do ponto salvo, se o jogador for atento, a tela de load mostra a fase atual que se segue.

    Agora vamos enfim adentrar diretamente no jogo. Copycat narra dois momentos bem claros na vida de Dawn. A primeira etapa é a brevíssima temporada ao lado da nova tutora Olive.

    A segunda fica por conta do reaparecimento da antiga gata – ou seja, a nossa Dawn é a tal “Copycat”. É o termo explícito dado pelo "biólogo-narrador", em que ele faz a ponte entre o jogador e Dawn durante toda a dinâmica do jogo.

    E, já que falei dele, a sua voz aparece primeiro de maneira externa, na televisão de Olive, narrando programas estilo do canal “Animal Planet”, em que apresenta reportagens voltadas ao mundo felino. Conforme o jogo avança, a voz do biólogo se torna um diálogo interno de Dawn com o mundo externo; e, por fim, ele pode ser interpretado como sendo a própria consciência dela. Um flerte com as atitudes e percepções internas, como se fosse a voz do diabinho e do anjinho falando na cabeça da pobre gata.

    Todas as conversas desse biólogo servem como um mapa para direcionar o jogador das missões da fase. Os diálogos giram em torno do apoio emocional, motivacional e até mesmo do sarcasmo; tudo dependerá da fase e também do momento de vida em que Dawn se encontra.

    Como disse, na primeira etapa Dawn usufrui do cuidado e atenção que Olive oferece em sua casa. São fases em que ela se acostuma com a presença da velha senhora. Brinca, ronrona junto a ela, faz peripécias próprias de uma bela gata doméstica, incluindo: derrubar coisas, fuçar onde não deve e rasgar papel higiênico. E, devido ao seu instinto selvagem, apronta diversas bagunças, além de caçar comida por conta própria.

    Aqui quero chamar atenção para um dado importante: lembra que lá no começo eu comentei sobre a memória falha de Olive, um possível começo de Alzheimer? Então, é exatamente no minigame, enquanto Dawn busca se alimentar, que o jogador vai se deparar com um prato de comida em um lugar nem um pouco usual.

A comunicação entre Olive e Dawn traz um teor divertido e, ao mesmo tempo, contemplativo. Cada uma delas expressa suas emoções conforme a própria história de vida. Olive ajuda Dawn a confiar novamente na bondade humana, já que, para a gata, as experiências passadas foram enganosas, fazendo-a duvidar de que o ser humano de fato é bom para os animais. Aos poucos, conforme vamos progredindo, uma Dawn mais receptiva ao calor humano vai nascendo. Ela vai aceitando ser o animal de estimação de Olive.

    Nessa dinâmica de aproximação, haverá uma fase em que Olive coloca uma coleira em Dawn, para que ela assim não venha a ter o mesmo fim da sua antiga colega, e depois a solta no quintal da sua casa. Ao explorar o ambiente, surge um dos primeiros minigames, em que Dawn treina o seu instinto de caçadora. Para capturar a sua caça, basta o player acertar os pontos corretos que o jogo pede usando um botão do teclado.

    Outro cenário é o de Olive acariciando Dawn no colo enquanto ouve no telefone a sua filha Mae lhe dando bronca. Isso porque ela não cuida bem da saúde, não usa o aparelho de oxigênio como o médico mandou, e mesmo assim resolveu adotar uma nova gata. Afinal, a filha defende que a mãe nem cuida de si mesma, quanto mais cuidar de outro ser. É nessa hora que vemos Olive se posicionando, ao dizer que Dawn é sua única e verdadeira família.

    Pesado!

    Diante de todas essas circunstâncias caóticas, eu ficava entre a espada e a cruz. Minha vontade era manter Dawn ao lado de Olive, mas o jogo, ou melhor, o biólogo-narrador, induz Dawn a sair daquela rotina monótona de pet e cair no mundo em busca de aventuras mais selvagens e livres. Afinal, o jogo precisa continuar...

     Temos que entender que Copycat oferece minigames leves até os mais tensos, aqueles de partir o coração mais frio. Entre os leves e até ingênuos está a fase em que Dawn traz “presentinhos”, que, segundo sua visão felina, agradariam a Olive. Já aos olhos humanos, algumas fases em que exige a caça de Dawn podem dar dó, como no caso da passarinha ou da borboleta, mas não devemos esquecer: Copycat é um jogo focado na vida de um animal.

    Já os minigames mais controversos, posso dizer que precisei até dar uma respirada, pois nunca imaginei presenciar em um jogo. Uma das fases é quando mostra uma grave degradação da saúde da boa Olive. É nessa fase que vemos pela primeira vez a filha, mãe. Além de expulsar Dawn da casa de Olive, em um ato de desespero e vendo o sofrimento da mãe, ela pensa numa atitude horrível contra a própria genitora.

    Nessa cena o jogo revela: diante da angústia, a mente humana não tem limites. Já fica o aviso: é uma cena bastante pesada e pode ativar gatilhos para certos jogadores, por isso, cuidado!

    Contudo, a cena é salva quando a filha logo se arrepende antes de cometer qualquer erro fatal. Isso ocorre depois de uma ação realizada por Dawn, dada pela jogadora. Ela se torna a salvadora da pátria! Ou melhor, de Olive!

    Já na segunda etapa de Copycat é quando Olive reencontra a sua primeira gata. Moída de sofrimento resolve abandonar a nossa amada Dawn longe de casa. A cutscene de despedida parte o coração. Os desenvolvedores trouxeram uma expressão da senhora, munida de tristeza e remorso genuíno. A partir dessa separação, a segunda etapa de vida de Dawn vai aprofundar táticas de caça e sobrevivência.

    Ela já não tem mais o porto seguro da casa de Olive e agora, mais do que nunca, precisa se virar no mundo hostil de uma verdadeira gata de rua. Enfrentar a fome, chuva, outros gatos vadios, perseguição canina e por aí vai...

    Nesta segunda parte, conforme Dawn vai caminhando a esmo, rumo a uma vida digna, o jogador se depara na tela com diversas frases pelo caminho, que trazem mensagens de esperança e, ao mesmo tempo, de uma vida sem perspectiva de melhora.

    Existem fases em que Dawn busca o pão nosso de cada dia na rua, no parque e no rio. Inclusive, ela chega ao ponto de enfrentar diversos outros gatos que farão de tudo para não deixá-la sobreviver.

    Aqui novamente aviso de gatilho: depois de passar por tantos desafios e diante da dificuldade de encontrar alimento, um lar e também ser amada, Dawn se sente desamparada pelo universo e pensa num ato triste contra a própria vida. Atitude, infelizmente, bastante comum no mundo em que vivemos hoje. Caberá ao jogador apoiar ou não a decisão dela. Veja que interessante, o jogo sabe como chegar aos dilemas humanos. Acredito que todos nós, em algum momento da vida, já passamos por provações parecidas com as que Dawn vem enfrentando.

    Ainda nessa segunda etapa, há a eterna briga entre cão e gato, que se dá em dois minigames específicos. Na primeira, o objetivo de Dawn é comer qualquer coisa para não morrer de fome, e a única coisa que encontra é ração canina. O player vai precisar atravessar um quintal com vários cães de guarda rondando ali até ela chegar ao pote de comida deles.

    Já o outro minigame é Dawn fugindo da perseguição de um desses cães. Como disse, Copycat é um jogo de relativa facilidade; não ocorrem os famosos game-overs. Basta o player centrar-se nos comandos básicos e tudo se resolve em poucos minutos.

    Raro de acontecer, mas, caso aconteça, existe no jogo uma linha branca que passa diante de Dawn, que serve como indicadora de direção caso o jogador esteja perdido ou sem entender bem a tarefa que precisa realizar.

    Um atributo criativo que mencionei no começo do vídeo é o fato de o jogo abordar os sonhos de Dawn. Dawn vai dormir e sonhar diversas vezes. Nesses momentos, ela já não é mais uma gata doméstica. É uma linda pantera negra de grande força. A força interior de um belíssimo animal selvagem. Cada fase em que aparecerem os sonhos vai representar um aspecto interno e profundo da bichinha em vida.

    Os sonhos competem às suas conquistas como caçadora, o seu poder de independência do mundo humano, a busca pelo próprio alimento, o abandono de Olive, o medo da solidão eterna, o questionamento sobre a sua relação com Olive e por aí segue...

    E não é só isso: durante os sonhos, o player precisa realizar ações, resolver os conflitos e alcançar a vitória. Somente assim, Dawn vai acordar e poderemos continuar jogando com ela na vigília.

Nota:

    Neste parecer dos sonhos, imaginei aqui: será que Copycat inconscientemente apresenta uma abordagem psicológica de Gustav Jung sobre estudo dos sonhos que ajuda a aprofundar o autoconhecimento? Bem, fica a reflexão...

    Para você entender melhor, vejamos alguns desses sonhos. Há um em que Dawn, sendo a pantera negra, enfrenta Mae, a tal filha de Olive, que não gosta nem um pouco dela. Existe nele uma dinâmica da eliminação da frustração felina.

     Em outro sonho, temos Dawn, que, por meio do player, deve rugir para diversos símbolos que fazem ela recordar as rejeições sofridas em vida.

    Há demais de poucas ações e mais observação, mas continuam tratando de assuntos de abandono, desprezo, amor, desejos e confiança.

     No final da jogatina, Copycat deixa em aberto o futuro da vida de Olive e da filha, e também das duas gatas “Dawns”.

    Do meu ponto de vista, o sonho mais lindo da nossa querida Dawn é o último sonho, quando sobem os créditos, existe a cena de “UM SONHO REALIZADO EM EQUIPE”. Vale recordar: a primeira Dawn foi a causadora de toda confusão que conduz o jogo; contudo, será ela mesma quem resolve tudo no final...

    Resumindo, Copycat é um jogo atemporal, deixa evidente que, enquanto nós, como seres humanos, não soubermos o que é o verdadeiro laço de união e amor, seja consigo mesmo ou com os animais, a vida será sempre rasa.

    Nada é perfeito; o jogo poderia aproveitar melhor a dinâmica nos minigames, como aumentar a dificuldade para escapar dos cães ou dos gatos. Participação maior do jogador durante as travessias pelos muros e cercas, por exemplo: uma variação de comandos para manter Dawn equilibrada sobre eles ou sobre outros espaços finos e limitados. Não há quase nada de desafio a enfrentar nessas caminhadas; ainda assim, devido à trilha sonora, ao cenário e à animação, tudo colabora para manter o player focado no jogo.

    Pode ser que o foco dos desenvolvedores não fosse realmente criar Copycat com a intenção de um jogo desafiante no sentido externo da palavra, mas sim no aspecto interno do próprio jogador, em que ele pode e deve refletir o que significa para si, família, amizade, doação de bons sentimentos e acolhimento do outro, seja sobre um animal ou de uma pessoa.

    Outro ponto que requer cuidado é a utilização da mudança de posição de câmera. Serve para observar melhor o ambiente e a própria feição de Dawn. Legal, mas esse é um dos aspectos que se assemelha ao game “Once A Tale” (fiz uma resenha no vídeo anterior; se não viu, veja o link abaixo na descrição desse vídeo), em que a posição pode gerar pontos cegos ou confusos, dificultando a jogabilidade. Por isso, é imprescindível mexer de maneira lenta e com mão leve para não girar tão rápida a posição dela, porque corre o risco de ter dor de cabeça, e eu estou falando da cabeça mesmo; aconteceu comigo algumas vezes...

    E uma última ressalva: dependendo do salto onde Dawn for dar, acontecem algumas falhas em contraponto aos lugares de apoio. Nada que tire o interesse do jogo, claro, mas exige um pouco mais de paciência e técnica para encontrar a posição exata para esses saltos.

    Resumindo: gostei bastante do jogo!

    Copycat, com o seu enredo justo e direto, temas emocionais e sensíveis e também a inclusão dos sonhos envolvendo diversos assuntos psicológicos, permite que os jogadores se aventurem e conheçam um pouco mais sobre si mesmos.

    Como diria o aforismo do grego antigo:

  "conhece a ti mesmo."

 

Requisitos mínimos do PC:
 SO: Windows 10/11 (64 bits).
Processador: Intel Core i5-4690K (3.5 GHz) / AMD FX-8300 (3.3 GHz)
Memória: 8 GB de RAM.
Armazenamento: 18 GB de espaço disponível.

Copycat é um jogo eletrônico de aventura desenvolvido pela Spoonful Of Wonder. Distribuído pela Neverland Entertainment, Nuuvem e Spoonful Of Wonder. Lançamento: 19 de setembro de 2024 - Steam.




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