Dramas Egípcios
Os
mais antigos poemas egípcios dramáticos registrados são de combate e
purificação. Alguns da XVIII e XIX dinastias, isto é, entre 1.500 – 1.200 AEC.
Um
deles refere-se a ressurreição de Hórus. O deus cabeça de falcão que venceu numa
batalha épica o seu tio Seth, o deus do caos. O motivo era Hórus vingar a morte
do seu pai, Osíris. Assassinado por Seth ao tentar usurpar o lugar dele como
faraó.
A
narração é uma espécie de clamor e angústia que culmina em vitória e alegria, cujo
movimento lírico ainda predomina sobre o movimento dramático. Ou seja, o foco é
direcionado para despertar os sentimentos e sensações do espectador, mais do
que as ações que dão vida ao espetáculo teatral.
Nessa
peça, há uma sobreposição de sucessões de monólogos, inovações litanias e cantos,
mais do que um verdadeiro diálogo dramático. Mas isso, corresponde ao que
conhecemos das formas primitivas do sânscrito, a língua indiana arcaica, e também,
dos primeiros textos denominados teatro religioso.
Porém,
conforme as pesquisas vem avançando, foram encontrados textos bem mais
antigos.
Seth
Pesquisadores acreditam que foi no Antigo Egito que ocorreram as primeiras encenações teatrais públicas e, sem locais reservados exatamente para esse intuito. Até o momento, foram descobertos doze textos, principalmente com assuntos da ideologia faraônica.
A
maioria desses textos eram em prosa, e incluíam instruções de como os atores e
atrizes deveriam atuar.
As
apresentações costumavam ser nas ruas. Entretanto, as de estilo religioso eram
realizadas no interior dos templos, apenas para um público bem seleto.
Ao
lado de algumas apresentações, os egípcios também coreografavam danças em
conjunto, duos, trios e também solos. Todavia, aparentemente, só os camponeses dançavam,
de fato, de forma coletiva, como é o caso nos ritos de fecundidade.
Para
distinguir as classes sociais, os nobres só realizavam, reservadamente, danças
individuais e austeras. Os dançarinos dos templos, constituíam-se de uma classe
considerada especial.
Havia
narrativas dramáticas, rituais religiosos e de cunho moral. A maioria em prosa,
e incluíam instruções de como os atores e atrizes deveriam atuar.
Um
dos achados mais antigos é o “Papiro de Ramesseum”. Escrito em hieróglifos. É o
papiro ilustrado mais antigo que conhecemos atualmente, cerca de 1980 AEC.
Nesse
papiro, as cenas são organizadas de tal modo que lembram uma história em
quadrinhos. A obra celebra o “Festival Sed”. Uma cerimônia solene de um
determinado governo de um faraó, no caso do Papiro de Ramesseum, é do Faraó
Senusret I da 12ª Dinastia.
Senusret I
O antigo povo egípcio tratava a religião como parte indissociável a vida humana, por isso, obras como “Isis e os sete escorpiões” e “O triunfo de Hórus” demonstravam os deuses sendo mais humanos.
Em
Ísis e os escorpiões, narra a história da inteligência e poder de cura da deusa
Ísis, diante de uma criança que foi picada por escorpiões. É um espetáculo moral.
Já
o triunfo de Hórus, conforme as pesquisas, é parte de um drama religioso que festeja
a ascensão ao trono de um faraó e também o Festival de Hórus.
Ambos
estimulavam a mente do espectador. Isso sugere que os antigos egípcios tinham
algum conhecimento da psicologia humana.
O texto a “Paixão de Osíris“, era uma encenação que causava choque no público. Narrava a história de Osíris, assassinado e esquartejado pelo irmão Seth. Tamanha crueldade de Seth resultou na ressurreição de Osíris, ganhando o posto de deus do reino dos mortos.
Osíris, Ísis e Hórus
A
encenação acontecia durante o festival em homenagem ao deus Hórus e, assim como
a festa, essa encenação também durava vários dias. Havia cenas de batalha com
mortes reais causando comoção nos presentes.
A sátira também fazia parte do currículo egípcio. É o exemplo da sátira política religiosa de “Contendas (conflitos) de Hórus e Seth”. O enredo discorre as batalhas travadas entre Hórus e Seth, para decidir quem seria o novo faraó, após o assassinato de Osíris.
Hórus e Seth
A
história conta que os embates se estendiam por um longo tempo e poderiam durar ainda
mais. Com isso, o panteão de deuses revolveu chamar os dois personagens para um
tribunal celeste, a fim de dar um basta naquela guerra.
Alguns
deles votaram que Seth deveria governar o Egito, pois era mais velho que o
sobrinho Hórus. Contudo, outros queriam Hórus, já que esse, era filho legítimo de
Ísis e Osíris, e não usurpador como Seth.
Esse
texto sátiro já assinalava as clássicas disputas políticas e de poder da
natureza humana.
É
de pensar que esse texto egípcio antigo, esteja abordando um tema atual,
onde essa disputa de poder continua sendo um dos maiores flagelos da sociedade contemporânea.
O teatro e a angústia dos homens – Pierre-Aime Touchard
www.antigoegito.org/a-batalha-entre-horus-e-seth
www.en.wikipedia.org/wiki/Dramatic_Ramesseum_Papyrus
www.en.wikipedia.org/wiki/Sed_festival
blog.hiperion.art.br/2023/07/22/o-teatro-no-antigo-egito-as-raizes-do-teatro-antes-da-grecia





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