13 maio 2025

Teatro Também é Teatro Consciente

 O teatro da cidade de São Paulo

pode salvar a educação brasileira


Abro nossa abordagem falando um pouco sobre o PROGRAMA MUNICIPAL DE FOMENTO AO TEATRO, criado em 2002 (Lei Nº 13.279 - 8 de Janeiro de 2002), coordenado pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Trata-se de um tema complexo, só darei uma pincelada no objetivo geral do programa. Para conhecer mais sobre, acesse a página oficial da Prefeitura de São Paulo, clique na imagem abaixo para saber mais:



"O Projeto Fomento vai em direção contrária ao mercado cultural na busca da formação crítica de quem faz e quem vê teatro."

 Teatro e vida pública: O Fomento e os coletivos teatrais de São Paulo – Editora Hucitec; 1ª edição 2012


    Hoje o que chamamos de Lei de Fomento nasceu a partir do manifesto Arte Contra Barbárie, encontros entre os agentes teatrais de grupos e companhias paulistas. Acesse: Arte contra a Barbárie

 "O objetivo maior da Lei de Fomento é o cidadão, a população. Lutar pelo direito à cultura significa ter em mente que somos agentes, que somos meios para que as pessoas tenham acesso ao bem cultural e artístico. Se o 'Fomento' vem proporcionando condições mínimas de trabalho aos coletivos contemplados não podemos nos acomodar dentro dos nossos grupos e companhias, mas ter em vista sempre o público, que afinal é quem contribui com os impostos para que haja saúde, educação e cultura. Quem sabe possamos promover a melhoria da vida em nossa sociedade."

 Teatro e vida pública: O Fomento e os coletivos teatrais de São Paulo – Editora Hucitec; 1ª edição 2012

       Como funciona na prática o fomento ao teatro?

Grupos independentes que não conseguem patrocínio direto para gerar recursos e desenvolverem o seu trabalho criativo tem a oportunidade de enviar o seu projeto para editais da Banca Avaliadora da Lei de Fomento.

Essa banca é composta por uma equipe do meio artístico teatral com uma boa caminhada sobre as verdadeiras necessidades de um coletivo, além de possuir ou ter experienciado um grupo já consolidado.

O projeto deve estar de acordo com as regras do edital selecionado. Apresentar o objetivo, plano de trabalho, cronograma financeiro (esse com limite), componentes do grupo e histórico do coletivo. A verba que vai abastecer esses grupos serão providas pela Secretária Municipal de Cultura.

Desde que a Lei de Fomento ao teatro surgiu, aumentou-se a criação de novos coletivos teatrais e continua crescendo, o que não significa que todos se firmam. Todavia, essa leva de nascimento aproximou o teatro da população que nunca havia tido a chance de pisar num teatro convencional. 

Projetos paralelos à Lei do Fomento, também acontecem na cidade. É o caso do Programa Vocacional. 

“Espaço que oferece orientação artística para o público acima de 14 anos em equipamentos da Secretaria Municipal da Cultura e Economia Criativa e nos CEUs da Secretaria Municipal da Educação.

Além dos encontros semanais, o Vocacional também realiza ações culturais complementares, atividades de vínculo e intervenção nos territórios da cidade, complementando os processos artístico pedagógicos com as turmas e/ou grupos atendidos pelo projeto.

As inscrições para o Programa Vocacional estão abertas durante o ano todo, basta ir até um dos espaços / equipamentos da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa (SMC). VOCACIONAL – Centros Culturais, Bibliotecas, Casas de Cultura, Teatros, EMIAs e nos Centros Educacionais Unificados (CEUs).” 

www.portadeentrada.prefeitura.sp.gov.br/vocacional


Tais ações culturais incluem música, dança, circo, literatura, artes visuais e inclusive o teatro, são na sua grande maioria a porta de entrada para o indivíduo se inserir no mundo das artes.

O Fomento ao teatro não visa apenas o resultado do trabalho em si. Focada em um espetáculo de conclusão de curso como item avaliatório, mas favorecer a pesquisa, a busca de novas linguagens teatrais a partir de um trabalho contínuo. Foca principalmente, em a população usufruir do teatro como um instrumento educacional.

Grupos que são ou já foram fomentados como "Brava Companhia", "Companhia Sobrevento", “Cia do Tijolo” criam novos espaços para a encenação teatral.

Este Lado Para Cima - Pq. Santo Antônio - BRAVA COMPANHIA


Eles levam seus espetáculos às periferias paulistas, lugares onde uma determinada comunidade não possua fácil acesso aos tradicionais teatros, seja por locomoção ou fator financeiro. 


Os coletivos também transportam suas criações para as ruas do centro da cidade. Na maioria, são textos críticos estimulando o espectador a refletir a sua verdadeira postura na sociedade contemporânea.

E o melhor de tudo, são eventos gratuitos, tornando o teatro mais acessível da realidade financeira brasileira.


Fachada - TEATRO SOBREVENTO

Os grupos citados e outros também podem oferecer a formação de arte-educadores, oficinas de atuação, canto, palestras, workshops e uma gama de eventos que possibilita o indivíduo desenvolver-se como um ser pensante.


Saiba mais:
www.blogdabrava.blogspot.com
www.ciadotijolo.com.br
www.sobrevento.com.br

Claro que o teatro é um instrumento de diversão e distração após um dia cansativo, são momentos importantes para nossa vida. Mas, podemos ir além.

Eu também sou a favor da "educação-teatro", porque sempre enxerguei essa arte que transcende o apenas o entretenimento.

Ele permite o espectador pensar, questionar, modificar ou mesmo negar uma situação. O teatro exercita a criatividade a crítica, sendo um trunfo para uma sociedade mais justa e humana.

É preciso entender o nosso valor no coletivo onde vivemos. Exercer a cidadania de forma honesta visando o bem de todos.

O Brasil tem um desempenho baixo no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA). Segundo os dados, foram avaliados estudantes de 15 anos em matemática, leitura e ciências. Em 2022, o país ficou na 65ª posição em matemática, 52ª em leitura e 62ª em ciências, entre 81 países participantes. 

Como sabemos o nosso país tem uma grande população e no ensino básico, crianças e jovens tem pouca facilidade com estudos por diversos motivos.

O governo continua inadequado e sem justa transparência para atender a demanda da educação brasileira que só aumenta.

São Manuel Bueno, Mártir - TEATRO SOBREVENTO


Se perguntar o que é educação, muitas pessoas não saberão responder. Educação, segundo o Dicionário Online de Português é:

“Ação de desenvolver as faculdades psíquicas, intelectuais e morais: a educação da juventude.”


    Hoje, alunos batem, arremessam mesas, cadeiras e rasgam diários de classe dos professores, como podemos esperar uma sociedade pensante e respeitosa?


Cia do Tijolo

Apesar do lado negativo, observa-se também iniciativas positivas a partir da ferramenta artística. É o exemplo de professores da rede pública municipal de São Paulo levar seus alunos ao teatro, onde assistem espetáculos a preços populares.


Isso é um passo na melhoria da qualidade de ensino. E já que não temos o respaldo necessário de uma política honesta e de completo interesse pelo nosso povo,  parte a sociedade se mobilizar e fazer a sua parte. O teatro paulista é uma esperança. É o "jeitinho brasileiro" do bem!

Recomendo a leitura do livro “Teatro e vida pública: O Fomento e os coletivos teatrais de São Paulo”para saber mais sobre a Lei de Fomento e a democratização do teatro e, também a resenha "A Representação que está nas ruas e nos livros" de José Rubens de Lima Jardilino, que aborda a obra "Tá na rua: representações da prática dos educadores de rua" de José Luís de Almeida, link: A Representação que está nas ruas e nos livros


Bibliografia:

Iniciação ao teatro – Sábato Magaldi
Teatro e vida pública: O Fomento e os coletivos teatrais de São Paulo” - Cooperativa Paulista de Teatro - 2012 
O teatro e a angústia dos homens – Pierre-Aime Touchard
www.portadeentrada.prefeitura.sp.gov.br/vocacional/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Arte_contra_a_Barb%C3%A1rie
www.blogdabrava.blogspot.com
www.ciadotijolo.com.br
www.sobrevento.com.br
www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/fomentos/teatro/

Análise jogo - "Brothers - A Tale Of Two Sons" (PC) - Um jogo diferenciado!

Brothers: A Tale of Two Sons
O Game de Caráter Coletivo



                                                      clique aqui vídeo completo                                                                             
 

     Estava eu em casa na última madrugada de sexta-feira “vagando pela web” quando tive a deia de procurar algum jogo interes­sante para me distrair. Como há muito tempo estou desatualizado dos últimos lançamentos, “dei um belo google”, mas não encontrei nenhum que despertasse o meu interesse.

Outro desafio, não tenho controle, então, uso o teclado do notebook e isso limita um pouco a jogabilidade, porque muitos games pedem diversas combinações.

No entanto, por eu ser um pouco do contra, não buscava jogos comerciais, privilegiava mais os jogos indies. São igualmente criativos e inovadores quanto os de grandes empresas, detalhe: com orçamento bem mais limitado. Muitos desses jogos de estúdios independentes são de alta qualidade e garantindo di­versão por horas!

Enfim, ao longo da caçada, eis que leio no site da Steam o parecer de um jogo com um nome curioso: "Brothers - A Tale of Two Sons".

 

“junte-se aos irmãos para uma jornada épica de conto de fadas, criado pelo visionário sueco diretor Josef Fares e o desenvolvedor do Starbreeze Studios. Controlar os dois irmãos ao mesmo tempo: uma mecânica cooperativa...nunca vi! Resolver quebra-cabeças, explorar diferentes cenários e lutar controlando um irmão em cada situação.”

 

O meu primeiro pensamento foi: o que o o usuário quis dizer?

Cliquei e continuei lendo o conteúdo, mas o que no fundo chamou a minha aten­ção não foi a sinopse, mas sim, as imagens sensacionais de alguns cenário do jogo. Todas em alta resolução. Detalhes e traços bem trabalhados. Remeteu aos meus sentimentos, não sei explicar, só sei que gostaria muito jogar Brothers: A Tale of Two Sons. Depois desse devaneio interior, resolvi pesquisar mais sobre a sua história do jogo.

O enredo narra dois irmãos vivendo num pequeno vilarejo com o pai doente. Eles precisam se aventurar mundo a fora para encontrar o remédio que irá salvá-lo. Os desafios que aparecem ao longo do caminho são resolvidos em ações conjuntas entre eles.


Diante do game abordar uma temática solidária, o meu interesse só aumen­tava.

Ao iniciar, a abertura, o cenário e a trilha sonora são emotivas. A primeira ima­gem é do irmão caçula ajoelhado em frente a uma lápide. Nada de spoilers. Só assistindo para entender as entrelinhas.

O jogo desafia o player com diversos quebra-cabeças. Além da lógica, pede criatividade para encontrar estratégias e assim, avançar na trama.

Vamos examinar os protagonistas. O caçula é uma criança. Mais inocente, sensível e bagunceiro na interação com o irmão. Já o mais velho, é ado­lescente o “cabeça” - usa a lógica, e em determinadas partes, também a força física.

Quem tem irmãos pode se identificar com tal hierarquia.

A jogabilidade é interessante, porque o jogador precisa controlar os dois si­multaneamente. Seja para se movimentarem ou realizarem ações. Nota, di­ferente dos games atuais, são comandos simples, nada de combinações exces­sivas. Principalmente quando são aquelas focadas no trabalho em equipe. Um exemplo, é o “pezinho” para pular.

Apesar de ser um jogo de um único player, é necessário realizar atividades con­juntas para prosseguir, senão nada feito. Vai empacar na fase. Cada desafio re­quer a força dessa "dupla de dois".

O jogo hipnotiza do começo ao fim. Envolve o jogador num espírito humanitário, prazer nas brincadeiras inocentes e aceitação do trabalho coletivo. É como se o jogo indiretamente indicasse: “ninguém é uma ilha”.

Os desenvolvedores se preocuparam com os mínimos detalhes, tornando a aventura uma obra-prima a parte.

As paisagens bem elaboradas e cores vivas destacam toda a ambientação. Passei um tempo atento em cada cena ali.

A trilha sonora com músicas instrumentais relaxam o jogador. Abraça ele em momentos de reflexão.

E assim como a música, os efeitos sonoros são de extremo cuidado. Há sons da natureza como rio, mar e outros permeando os cenários. A interação dos ani­mais junto com os nossos heróis, mistura diversão, emoção e inocência juvenil.

Atentei-me principalmente, aos sons emitidos pela dupla durantes as interações coletivas. Cada uma dessas, tinha o seu significado, servindo de orientação para avançar através da narrativa.

O diálogo dos meninos é uma incógnita. Não é português, inglês, russo ou mesmo mandarim. É uma linguagem própria dos personagens. Mas calma, não se aflija. As imagens e situações deixam claras o que eles precisam fazer e até o que sentem. 

Interessante observar que passando cada desafio, é como se os garotos amadurecem internamente. A comunicação deles mostra-se mais profunda em busca do elixir para salvar a vida do pai. O jogador não só cumpre missões, mas sente compartilhar com os irmãos alegria, dúvida, emoção e confiança. Ele se torna um membro da família!

“Brothers: A Tale of Two Sons” não é um jogo limitado ao ambiente virtual, pos­sibilita reflexões para o jogador diante da sua realidade pessoal, caso esteja receptivo.

A nível individual, posso citar: valorização da vida, amizade, família e também momentos de descontração. No âmbito de equipe, pensando numa pós pandemia Co­vid-19: o cuidado com a natureza, ajuda ao próximo, empatia, dividir mais alegria com quem amamos e principalmente fortalecer a fé do próprio jogador. Uma mensagem de força e superação diante das provações. Continuar se­guindo em frente.

Os movimentos conjuntos além dos irmãos, também abrange os demais persona­gens. Cada auxílio dado, será essencial para chegarem no final derradeiro.

Sem dúvida, quem se aventurar na jogatina de “Brothers - A Tale of Two Sons"., com certeza, vai encontrar muitas outras percepções relacionadas ao seu mundo pessoal.

A única ressalva é o jogo ser curto, deixando aquele gostinho de quero mais. Três a quatro horas, dependendo, você zera. Joguei aos poucos para apreciar os mínimos detalhes e não perder nenhum momento bacana!

Agora, para os curiosos, se a dupla consegue salvar a vida do amado pai? Bem, os criadores deixaram o mais emocionante para o final. Fecharam com chave de ouro. Nada de spoiler! Vai lá jogar...

Resumindo: "Brothers - A Tale Of Sons" é uma relíquia em meio a essa onda de jogos distópicos e violentos. Um jogo válido para todas as idades.

 



Brothers: A Tale of Two Sons é um jogo eletrônico de aventura desenvolvido pela Starbreeze Studios e publicado pela 505 Games para Xbox 360Microsoft WindowsPlayStation 3PlayStation 4Xbox OneiOSAndroid e Windows Phone. Lançamento: 07 de agosto de 2013 – R$ 6,99 – Steam.

Teatro Egípcio - Culto aos Deuses do Antigo Egito

 Dramas Egípcios






Os mais antigos poemas egípcios dramáticos registrados são de combate e purificação. Alguns da XVIII e XIX dinastias, isto é, entre 1.500 – 1.200 AEC.

Um deles refere-se a ressurreição de Hórus. O deus cabeça de falcão que venceu numa batalha épica o seu tio Seth, o deus do caos. O motivo era Hórus vingar a morte do seu pai, Osíris. Assassinado por Seth ao tentar usurpar o lugar dele como faraó. 

A narração é uma espécie de clamor e angústia que culmina em vitória e alegria, cujo movimento lírico ainda predomina sobre o movimento dramático. Ou seja, o foco é direcionado para despertar os sentimentos e sensações do espectador, mais do que as ações que dão vida ao espetáculo teatral.

Nessa peça, há uma sobreposição de sucessões de monólogos, inovações litanias e cantos, mais do que um verdadeiro diálogo dramático. Mas isso, corresponde ao que conhecemos das formas primitivas do sânscrito, a língua indiana arcaica, e também, dos primeiros textos denominados teatro religioso.

Porém, conforme as pesquisas vem avançando, foram encontrados textos bem mais antigos.


Seth


Pesquisadores acreditam que foi no Antigo Egito que ocorreram as primeiras encenações teatrais públicas e, sem locais reservados exatamente para esse intuito. Até o momento, foram descobertos doze textos, principalmente com assuntos da ideologia faraônica. 

A maioria desses textos eram em prosa, e incluíam instruções de como os atores e atrizes deveriam atuar.

As apresentações costumavam ser nas ruas. Entretanto, as de estilo religioso eram realizadas no interior dos templos, apenas para um público bem seleto.

Ao lado de algumas apresentações, os egípcios também coreografavam danças em conjunto, duos, trios e também solos. Todavia, aparentemente, só os camponeses dançavam, de fato, de forma coletiva, como é o caso nos ritos de fecundidade. 

Para distinguir as classes sociais, os nobres só realizavam, reservadamente, danças individuais e austeras. Os dançarinos dos templos, constituíam-se de uma classe considerada especial.

Havia narrativas dramáticas, rituais religiosos e de cunho moral. A maioria em prosa, e incluíam instruções de como os atores e atrizes deveriam atuar.

Um dos achados mais antigos é o “Papiro de Ramesseum”. Escrito em hieróglifos. É o papiro ilustrado mais antigo que conhecemos atualmente, cerca de 1980 AEC. 

Nesse papiro, as cenas são organizadas de tal modo que lembram uma história em quadrinhos. A obra celebra o “Festival Sed”. Uma cerimônia solene de um determinado governo de um faraó, no caso do Papiro de Ramesseum, é do Faraó Senusret I da 12ª Dinastia.


Senusret I


O antigo povo egípcio tratava a religião como parte indissociável a vida humana, por isso, obras como “Isis e os sete escorpiões” e “O triunfo de Hórus”  demonstravam os deuses sendo mais humanos.

Em Ísis e os escorpiões, narra a história da inteligência e poder de cura da deusa Ísis, diante de uma criança que foi picada por escorpiões. É um espetáculo moral.

Já o triunfo de Hórus, conforme as pesquisas, é parte de um drama religioso que festeja a ascensão ao trono de um faraó e também o Festival de Hórus.

Ambos estimulavam a mente do espectador. Isso sugere que os antigos egípcios tinham algum conhecimento da psicologia humana.

O texto a “Paixão de Osíris“, era uma encenação que causava choque no público. Narrava a história de Osíris, assassinado e esquartejado pelo irmão Seth. Tamanha crueldade de Seth resultou na ressurreição de Osíris, ganhando o posto de deus do reino dos mortos.

Osíris,  Ísis e Hórus


A encenação acontecia durante o festival em homenagem ao deus Hórus e, assim como a festa, essa encenação também durava vários dias. Havia cenas de batalha com mortes reais causando comoção nos presentes.

A sátira também fazia parte do currículo egípcio. É o exemplo da sátira política religiosa de “Contendas (conflitos) de Hórus e Seth”. O enredo discorre as batalhas travadas entre Hórus e Seth, para decidir quem seria o novo faraó, após o assassinato de Osíris.

Hórus e Seth

A história conta que os embates se estendiam por um longo tempo e poderiam durar ainda mais. Com isso, o panteão de deuses revolveu chamar os dois personagens para um tribunal celeste, a fim de dar um basta naquela guerra. 

Alguns deles votaram que Seth deveria governar o Egito, pois era mais velho que o sobrinho Hórus. Contudo, outros queriam Hórus, já que esse, era filho legítimo de Ísis e Osíris, e não usurpador como Seth.

Esse texto sátiro já assinalava as clássicas disputas políticas e de poder da natureza humana.

É de pensar que esse texto egípcio antigo, esteja abordando um tema atual, onde essa disputa de poder continua sendo um dos maiores flagelos da sociedade contemporânea.


Bibliografia:
O teatro e a angústia dos homens – Pierre-Aime Touchard
www.antigoegito.org/a-batalha-entre-horus-e-seth
www.en.wikipedia.org/wiki/Dramatic_Ramesseum_Papyrus
www.en.wikipedia.org/wiki/Sed_festival
blog.hiperion.art.br/2023/07/22/o-teatro-no-antigo-egito-as-raizes-do-teatro-antes-da-grecia